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O
ELETROCARDIOGRAMA E A AVALIAÇÃO PRÉ OPERATÓRIA
O
paciente que é submetido a uma cirurgia fica exposto
ao estresse cirúrgico secundário à alterações
metabólicas e ação cardiodepressora e vasodilatadora
dos anestésicos. Quando as alterações são de pequena
magnitude e em um coração normal, não há
conseqüências mais sérias, pois o próprio organismo
equilibra essas alterações. Entretanto quando
estamos diante de cirurgias maiores e ou em corações
previamente doentes e sem reserva miocárdica,
podemos ter conseqüências sérias.
Na avaliação pré-operatória, fazendo parte da
avaliação clínica, o médico pede eletrocardiograma (ECG),
pois esse exame além de ser acessível e isento de
riscos, pode fornecer dados importantes.
Algumas alterações eletrocardiográficas
identificadas em adultos assintomáticos devem ser
interpretadas com muito cuidado, pois podem mudar
significantemente a história cirúrgica.
A presença de onda q no ECG sugere um paciente com
história de doença coronariana, devendo ser
monitorado no perioperatório com ECG e enzimas de
necrose miocárdica.
As arritmias geralmente são benignas, mas deve-se
investigar a função ventricular e a presença de
isquemia miocárdica. Quando a função for normal e na
ausência de isquemia, elas não tem prognóstico
perioperatório.
Bradicardia sinusal não necessita de tratamento
farmacológico. Os pacientes que apresentam déficit
cronotrópico podem se beneficiar com marcapasso. Nos
bloqueios mais avançados, BAV Mobitz II e bloqueio
átrioventricular total, o marcapasso é
imprescindível.
O bloqueio de ramo esquerdo geralmente vem
acompanhado de cardiopatia isquêmica ou dilatada. O
bloqueio de ramo direito em nosso meio deve levar a
investigação de doença de Chagas.
O eletrocardiograma também é importante para avaliar
doenças extracardíacas, tais como ondas de Osborn na
hipotermia, ondas T apiculadas na hipercalemia (íon
K elevado) e nas doenças cerebrais. O aparecimento
de onda u , diminuição da onda T e alargamento do
QRS relacionado com níveis baixos de íon K (hipocalemia).
Portanto o ECG é um exame de custo baixo e elevado
benefício, não devendo ser negligenciado na
avaliação pré-operatória.
Leitura recomendada:
Povoa R, Bombig MTN, Fonseca FAH. A Importância do
Eletrocardiograma no Pré- Operatório. Rev Soc
Cardiol do Estado de São Paulo. 2010;20(1):44-50. |